E o grupo JBS-Friboi compra mais um frigorífico…


JBS ganha impulso para aquisições com BNDES

O Grupo JBS compra os ativos do Frigorífico Independência que estavam em recuperação judicial.

Pouco antes havia arrendado (com opção de compra) os ativos da Duox FrangoSul, também em dificuldades financeiras. Retrocedendo um pouco mais pode-se adicionar várias outras empresas no currículo de aquisições: Bertin (um de seus maiores concorrentes no mercado interno), indústrias americanas com atuação global como Pilgrim´s Pride e Swift, além de outras nacionais menores como Agrovêneto e unidades industriais isoladas de várias outras empresas em dificuldades.

Em 2004 o JBS-Friboi faturava 1,2 bilhões de dólares. Em 2011 atingiu a impressionante cifra de US$ 41 bilhões. É um exemplo acabado da política de formação de campeões nacionais.

Existe um debate sobre os benefícios dessa Política, patrocinadas pelo executivo federal, que incentiva a criação de grandes empresas nacionais em alguns segmentos industriais considerados estratégicos.

Muitos pesquisadores seguidores de uma linha mais liberal acreditam que o mercado livre é perfeitamente capaz e suficiente para se atingir o progresso industrial e a proposperidade material de uma sociedade.

Sou da opinião que a indução da formação de empresas com escala de produção e capacidade de competição em nível internacional é necessário e conveniente ao desenvolvimento do país – desde que tomados os cuidados necessários. O problema é justamente a questão do quão grande uma empresa pode ser.

Uma matéria da revista Exame apontava que a JBS tentou, sem sucesso, comprar outro grande frigorífico americano e que o governo daquele país dava indicativos importantes que não permitiria novos avanços no setor de carne bovina. A partir daí a empresa mudou de estratégia, diversificou a atuação para processamento de carne de frango (com a compra da Pilgrim´s, das maiores do mundo nesse setor) nos EUA – sem maior resistência do governo americano – e a partir daí iniciou a aquisição de cada vez mais empresas dentro do Brasil. Isso explica por exemplo a compra do Bertin, Independência, entre outros do setor de carne bovina no país, além do setor de carne de frango como Duox FrangoSul e Agroveneto.

Kanitz em seu blog elogiou esse movimento recente no Brasil de formação de grupos com poder de competir globalmente, dizendo que grandes a empresas como Itaú-Unibanco, Marfrig, JBS, Ambev e Fibria deveriam se juntar outros grupos nacionais de “classe internacional”.

Opinião defendidas também por grandes nomes da administração como Michael Porter em seu livro “A vantagem competitiva das nações”, onde se diz que uma pequena quantidade de empresas irá dominar a produção mundial.

A possibilidade de abuso da condição de virtual monopólio foi minimizada por Kanitz, mas o livro “Chutando a escada” de Chang alerta para os perigos que aparentemente nos aproximamos no Brasil.

Chang diz que países de industrialização tardia como Japão e França (entre outros no período pós-Guerra) se valeram da estratégia de formação de grandes empresas nacionais não para que estas dominassem os mercados internos e praticassem preços extorsivos de seus produtos, mas sim para que ganhassem escala de produção, se aproximassem do patamar tecnológico das empresas líderes mundiais e pudessem brigar nos mercados internacionais pela via da exportação.

Existem situações no Brasil onde a concorrência nos mercados internos atingem níveis predatórios, com companhias pequenas, sem tecnologia, muitas vezes informais, descapitalizadas e sem condições de competir globalmente. Mas não é incomum vermos situação onde setores inteiros se encontram em virtuais monopólios com empresas inchadas, preguiçosas e pouco dinâmicas. Ambas situações devem ser evitadas.

Por isso me pergunto se já não está na hora de uma empresa como o JBS parar de comprar seus concorrentes no Brasil e passar a se dedicar “apenas” à administração da sua gigantesca operação industrial? Será que o governo não deveria interferir brecando novas aquisições?

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Veja também “Empresas de classe mundial”  de Stephen Kanitz.

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