Bolsa Família


Lia numa notícia que na época do New Deal nos Estados Unidos também tinham programas de transferência de renda, algo como o nosso Bolsa Família aqui no Brasil. A diferença é que pela “a ética protestante americana”, dizia o texto, exigia-se a contrapartida de trabalho de quem recebesse os recursos: trabalhava-se limpando parques, ruas e fazendo qualquer tipo de atividade laboral como contrapartida ao recursos.

“O bolsa familia ou programas equivalentes já foram aplicados em larga escala no New Deal, com a diferença que a ética protestante americana dava dinheiro para sobreviver mas exigia trabalho, qualquer que fosse, do beneficiario. Seis milhões foram empregados nos anos 1934 e 1935 para varrer parques e estradas, enquanto recebiam um salario nesses empregos inventados por razões sociais e não economicas.” Veja aqui.

Recentemente numa discussão com colegas, e após muitos argumentos interessantes, surgiu o mesmo ponto: seria um programa como o Bolsa Família um retrocesso no sentido de que as pessoas não querem trabalhar por já receber um auxílio em dinheiro? Lembrando: no caso do programa brasilieiro a contrapartida é matrícula dos filhos na escola e questões referente à saúde (como vacinação, pré-natal no caso das gestantes, etc.) e não o trabalho.

Quem tem um pouco mais de idade lembra que era comum no Nordeste brasileiro, no período de secas, o governo contratar levas de trabalhadores nas regiões afetadas para realizar “frentes de trabalho”: construção de açudes, abertura de estradas vicinais, etc. Num modelo que valoriza a “ética do trabalho”.

Dito esses pontos a questão de fundo parece ser esta: O governo deveria criar (ou continuar) com um programa de transferência de renda cuja contrapartida fosse qualquer outra que não o trabalho? Seria ruim para o país estimular as pessoas a ganhar sem trabalhar?

Um debate interessante.

Acho muito importante ressaltar também que aqui não se está discutindo “opiniões desinformadas” a respeito dessas políticas públicas como argumentos como “Beneficiários terão mais filhos para receber mais auxílio” ou “É mero assistencialismo”. É corrente hegemônica tanto na academia quanto na política que isso se trata de mitos (veja mais aqui).

O ponto central do debate é outro. Repetindo o dito acima:

O governo deveria criar (ou continuar) com um programa de transferência de renda cuja contrapartida fosse qualquer outra que não o trabalho? Seria ruim para o país estimular as pessoas a ganhar sem trabalhar?

O que você acha?

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