Eleições x Educação


Um comentário que gostaria de fazer sobre as eleições.

Quantas vezes o cidadão brasileiro visita uma Escola Pública em sua cidade?

Assim como o político que só visita o bairro periférico em período de campanha para pedir votos, o cidadão (via de regra) só vai até uma Escola Pública para votar – porque ela se transformou temporariamente numa Seção Eleitoral.

Dia 7 de Outubro de 2012, assim como muitas outras pessoas, tive a oportunidade de entrar em prédios da educação pública. No meu caso visitei aqui em Imperatriz: o campus da UEMA, Escola Estadual Castelo Branco no Juçara e Escola Municipal Frei Manoel Procópio no Centro.

As Escola no Centro e do Juçara que pude visitar estavam bem conservadas. Achei a Escola no Centro muito bem conservada e a Castelo Branco passou por uma recente reforma em parceria com 50  BIS (conforme visto no blog da Escola: castelobrancoitz.wordpress.com).

Para ir um pouco além chequei as notas no IDEB das Escolas referentes a 2011:

  • EM Frei Manoel Procópio: Anos Iniciais 4,0. Anos Finais 4,5.
  • CE Castelo Branco: Anos Iniciais: não trabalha. Anos Finais 3,7.

Assim como outra escolas da cidade, nos anos iniciais a educação está bastante atrás da média nacional (divulgada constantemente na TV) que é 5,0. Nos anos finais o quadro fica mais próximo do razoável.

O outro local que visitiei no dia da votação foi a UEMA. O campus encontra-se num estado de conservação muito abaixo do desejável. Fui até o novo prédio de salas (obra que foi entregue com vários meses de atraso, sendo alvo inclusive de seguidos protestos por parte dos estudantes) e fiquei com impressão de que estivesse abandonado. Toda a área do campus precisa de urgente limpeza (muitas folhas e lixo embaixo das árvores, as paredes sujas e com excesso de cartazes). Calçadas, passeio e quadra quebrada em vários pontos. Outra coisa que nunca muda na UEMA: os bebedouros. Que custa colocar um bebedouro acionado por botão em substituição àquele de torneira que necessita de copos plásticos (que nunca se tem em quantidade suficiente, que poluem e são um completo desperdício de recursos)?

A solução para falta de conservação é simples. Precisa de vassoura e sabão pra esfregar o chão. Uma demão de tinta nas paredes também cairia muito bem. Um pouco de cimento nos buracos da quadra e pronto.

Se a comunidade acadêmica e a sociedade civil organizada de Imperatriz não consegue resolver esse problema como iremos tranformar Imperatriz num verdadeiro Pólo Universitário? Como isso é possível se Imperatriz não possui até hoje NENHUM curso de mestrado e doutorado? Araguaína, Gurupi, Palmas, Marabá e muitas cidades menores que a nossa já tem os seus programas de pós-Graduação strictu sensu.

Enfim…

Muitas pessoas reclamam do investimento e da qualidade da educação no Brasil. Tema esse que na campanha eleitoral foi tratado de maneira bastante superficial aqui em Imperatriz – coisas do tipo “construir 2 escolas em tempo integral”, “investir mais na educação”, etc.

No Brasil 80% das crianças e jovens estudam em escola pública.

Mas estudiosos reclamam que a sociedade pouco se interessa pela educação pública. Por um lado famílias de classe média e os ricos tipicamente colocam seus filhos em escolas particulares. Por outro lado pesquisas nacionais apontam que 70 a 80% dos pais estão satisfeitos com a qualidade da educação ministrada aos seus filhos matriculados em escolas públicas.

Algumas questões para discussão:

Como gerar o sentido de urgência necessário para enfrentar a qualidade deficiente da educação?

Como eram as instalações da Escola/Seção Eleitoral que você visitou?

Qual o valor que (realmente) atribuímos à Educação?

Comente.

Thiago Silveira
(@othiagosabe)

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Uma resposta para Eleições x Educação

  1. Néia Ferreira disse:

    Votei no Adventista que é particular e, porisso, está em boas condições de conservação, porém é bem inseguro pra crianças pequenas, o que representam a maioria dos alunos de lá.
    Passei pelo Urbano Rocha, tem a mesma estrutura de décadas atrás mas não está tão ruim…
    Quanto à primeira questão, essa é a grande dificuldade! Como gerar consciência política onde não se tem educação suficiente para tal? Como sair desse ciclo de alienação onde os valores são invertidos, onde nem os professores tem o compromisso de realmente educar seus alunos, onde muitos deles tb são alienados? Como conscientizar uma população sobre a verdadeira finalidade da educação numa cultura que considera esses assuntos chatos e superficiais? Como motivar pessoas a trabalharem em prol do aumento da qualidade da educação se a maioria não vai ler esse texto por pura preguiça, falta de costume?
    O povo que tem que buscar essas melhorias, como disse em um post, temos que ser mais ativos, temos que participar da administração da cidade, fiscalizar, cobrar e colocar os representantes pra fora quando esses não trabalham como deveriam.
    Por enquanto, umas das poucas alternativas que temos é, nós que tivemos acesso à um pouco mais de informação, irmos para o boca a boca, conversar e aconselhar as pessoas ao nosso redor sobre o que tem que ser feito. Ao contrário do que pensam, o povo não é burro, o povo é bem crítico e opinioso, só precisam de uma liderança, de alguém pra organizá-lo, pra motivá-lo.
    Não podemos cobrar dos políticos atos e sentimentos que não possuimos…

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