Novas vagas em curso de Medicina: a polêmica.


O Brasil tem hoje menos de 15% dos jovens entre 18 a 24 anos na universidade, enquanto que em outros países como França, Espanha, Reino Unido, além de países da América Latina como Argentina e Chile, possuem percentual acima 50%.

Importante registrar que o número, apesar de baixo, dobrou em dez anos passando de 6,9% em 1998 para 13,9% em 2008, segundo os últimos dados disponíveis no IBGE. Porém ainda distante da meta de 30% prevista para ano de 2011.

Achei importante essa introdução para contextualizar duas notícias divulgadas hoje:

  • O MEC anunciou a criação de 2.415 novas vagas em curso de Medicina no país.
  • E a pronta resposta do Conselho Federal de Medicina (CFM) em criticar tal expansão, afirmando por exemplo que “a abertura de novas escolas ou o aumento no número de vagas nas existentes é uma atitude desprovida de conteúdo prático e de bom senso”.

O MEC objetiva aumentar a oferta de mão-de-obra médica, já que o país possui proporção insuficiente de médicos em relação à população. Além disso, as novas vagas se concentram em regiões que possuem maior carência de médicos, inclusive em cidades do interior. Veja a distribuição das novas vagas em universidades federais por regiões:

  • Nordeste 775 novas vagas
  • Norte 310 novas vagas
  • Centro-Oeste 270 novas vagas
  • Sudeste 220 novas vagas
  • Sul 40 novas vagas

A essas 1.615 novas vagas em universidades federais se somarão outras 800 em instituições particulares. No total, com as quase 2.500 novas vagas haverá um incremento de 15% sobre as vagas atuais.

O CFM questiona, não sem razão, a qualidade do ensino prestado em muitas das escolas de medicina. E também diz: “Para o CFM, o Brasil NÃO precisa de mais médicos!”. Complementa afirmando que precisa sim é de “bons médicos e de políticas públicas que estimulem sua melhor distribuição pelo território nacional”

Por um lado o CFM diz que o Brasil não precisa de mais médicos, por outro os números do IBGE apontam que o número de jovens do país na universidade ainda é muito pequeno.

Quem tem razão?

Acredito que o Brasil tem muita a crescer quando se trata de educação universitária. Ainda estamos distantes de países desenvolvidos e até daqueles com níveis semelhantes de desenvolvimento, como visto acima. Se hoje temos menos de 15%, imagine quantos profissionais não teremos quando o país atingir o nível dos países ricos com cerca de 50% de jovens no ensino superior.

Não seria um exagero esperar que um investimento maior nas instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, resultem em maior quantidade não só de médicos, mas também administradores, advogados, engenheiros, jornalistas, cientistas, profissões ligadas a tecnologia, etc. O que é fundamental nesses tempos de Sociedade do Conhecimento e numa economia que se quer moderna.

Precisamos de mais profissionais, MUITO mais – e não menos. Em todas as áreas e campos do conhecimento.

Em tempo :

– Imperatriz, finalmente, teve autorizado seu curso de Medicina. Campus da UFMA de Imperatriz disponibilizará em breve 80 novas vagas anuais.

– Outra faculdade particular da cidade que pleiteava abrir curso de Medicina não foi incluída na lista de novos cursos.

Links:

Lista das universidades privadas contempladas com novas vagas aqui.

Veja a nota oficial do CFM aqui.

Notícia sobre novas vagas em Medicina aqui.

Notícia sobre percentual de jovens no ensino superior aqui.

Anúncios

Sobre othiagosabe

um conceito
Esse post foi publicado em Artigos & Opiniões. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s