O Sistema bancário a serviço da sociedade


Recentes notícias do mercado financeiro apontam para uma tendência de concentração bancária no Brasil. Dados que podem ser confirmados através da compra e fusão de grandes grupos bancários, como os recentes negócios da fusão entre Itaú e Unibanco, ou a compra pelo Banco do Brasil (no todo ou em parte) dos bancos: Nossa Caixa e Votorantim, a compra do Banco Real pelo Banco Santander. Um questionamento importante se faz necessário: qual modelo de instituição financeira serve melhor aos interesses da nossa sociedade?

Conforme o livro Democracia Econômica (Ladislau Dawbor 2008), o sistema financeiro em muitos países europeus tem uma orientação diferente do que estamos acostumados aqui no nosso país. Nos países da Zona do Euro é muito mais comum a existência dos chamados bancos locais, ou pequenas instituições financeiras regionais que são responsáveis pelas intermediações econômicas. O sistema funciona através de pequenas caixas econômicas que concentram as poupanças locais e destinam esses recursos para investimentos produtivos dentro da própria comunidade onde ele está instalado.

Na outra ponta do espectro se encontra o modus operandi dos bancos no Brasil que canalizam o grosso das poupanças para aplicações financeiras especulativas buscando o melhor retorno possível para seus clientes, e por isso acabam investindo grande parte desses recursos em títulos de dívida do Governo (baixo risco, grande rentabilidade), entre outras.

A resposta a pergunta feita acima passa pela definição de indicadores adequados para medir esses resultados.

A questão pode ser analisada a partir da ótica do “acionista do banco” que está interessado num elevado retorno para seu investimento. Neste caso se pode identificar que o melhor investimento é aquele que apresentar simplesmente a taxa de retorno mais elevada – ou seja, na ótica do “acionista do banco” o sistema brasileiro é o ideal pelos grandes lucros apresentados.

Porém quando se adiciona nesta questão o impacto para toda a sociedade e sua possível utilização alternativa, deve-se considerar que os recursos destinados para aplicações especulativas acabam sendo desviados de um uso local e produtivo na própria comunidade que é a legítima proprietária destes recursos. Neste modelo, o sistema de “caixas econômicas municipais” alimenta a dinâmica da economia local, pela via do desenvolvimento de negócios e empregos na própria região. Portanto sob a ótica do “benefício para sociedade” o sistema europeu apresenta resultados mais satisfatórios.

A ciência econômica caminha para integrar fatores anteriormente negligenciados na análise econômica tradicional. Esse conceito de acordo com muitos autores é chamado de “produtividade sistêmica”, inclui além da rentabilidade econômica tradicional os impactos para toda a sociedade.

Por Thiago Silveira

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